O bem e o mal morreram e sobrou apenas um vazio nesse país comandado por um genocida

O bem morreu.
O mal também.
E o empresário
De sucesso e dinheiro.
Que vende de comer
E no lixo joga o que não se come
Agora vende o lixo
Pra faminto miserável.

O bem morreu.
O mal também.
E quando pobre morre
De tiro, facada ou porrada.
É bandido e bem feito de sua morte!
Porque todo pobre é preto
Todo preto é perigoso
E bandido quando morre.

O bem morreu.
O mal também.
E a mulher apanhou.
E depois perdoou.
Para apanhar de novo.
E de novo.
E ouvir que a culpa é dela.
Por se sentir desamparada.

O bem morreu.
O mal também.
O banqueiro enriqueceu.
Que nem o fazendeiro,
Que mata boi em real,
E vende em dólar pro estrangeiro.
Enquanto mais gente empobrece,
E mais pobre esfomeia.

O bem morreu.
O mal também.
E hospital mata
Paciente velho e caro.
E os médicos receitam
Remédio que mata.
Para ter menos médicos,
E mais saúde pra quem puder pagar.

O bem morreu.
O mal também.
E a milícia extorque,
Mata e elege.
Lá no lado pobre.
Enquanto do outro lado,
Moradores aplaudem, silenciosos,
A brutalidade que doma a pobreza.

O bem morreu.
O mal também.
E na igreja daqui,
Jesus quer arma.
E ama quem dá dinheiro
Para quem tem dinheiro.
E não gosta de pobre,
Nem de viado e perdão.

O bem morreu.
O mal também.
E é cada um por si.
E todos contra todos.
Solidariedade, respeito
E caridade,
Agora é coisa feia
De comunista, ateu e esquerdista.

O bem morreu.
O mal também.
Nazista virou amigo,
E suástica, liberdade de expressão.
Fascismo agora é moda,
Índio é comunista,
jornalista, mentiroso
E genocida, patriota.

O bem morreu.
O mal também.
Sobraram o bom e o ruim,
Disfarçados de bem e de mal.
Na boca da gente
Corrupta, perversa e mesquinha.
Que inventa, mente e mata.
Enquanto ora, abençoa e mita.

O bem morreu.
O mal também.
Ficou só a sombra
E a angústia do vazio da sombra.
Do bem e do mal.
No mesmo vazio, indistintos.
Confundindo uma gente,
Já cansada de se entristecer.

***
Os artigos representam a opinião dos autores e não necessariamente do Conselho Editorial do Terapia Política.

Ilustração: Mihai Cauli

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