O samba e o entusiasmo da juventude contagiam o povo brasileiro, e no mundo logo voltou a esperança, a utopia revive, e voltamos a sonhar com o amanhã.

A gente começa a morrer quando perde o entusiasmo, teria escrito Balzac, logo, é o entusiasmo que faz a vida vibrar. E o melhor do Brasil despertou com o entusiasmo da juventude que ilumina as ruas e avenidas com alegria. O mundo, através das agências e mídias da Ásia, da Europa e da América, divulga as passeatas de centenas de milhares de jovens estudantes, o que lembra o entusiasmo da geração 68. Portanto, atenção sociólogos, pode estar nascendo a Geração 26, não mais com o grito de abaixo a ditadura, mas com um “VIVA A DEMOCRACIA”.

Ocupar as ruas até as eleições foi a decisão da UNE – União Nacional dos Estudantes – na terça-feira dia 6/10, quando foi lançado o movimento batizado de “Tsunami da Esperança” ou “Juventude na Rua pela Democracia”. Eles perceberam a terrível ameaça à liberdade com o domínio dos poderes por uma família só e o grave retrocesso que poderia ocorrer na educação, nas conquistas sociais, na cultura.

O manifesto da UNE – Estudantes com Lula pelo futuro do Brasil –, lançado logo após o primeiro turno, compara as duas propostas de governo e conclui que o país não pode retroceder. Recorda a história de luta da entidade que foi incendiada pelo golpe militar, suas lideranças perseguidas, torturadas e assassinadas. Ainda assim foram às ruas na ditadura, nas “Diretas Já” e em todas as lutas do povo brasileiro. O manifesto chegou a todo o país, e suas palavras tocaram os universitários e os estudantes adolescentes do Brasil, que estarão nas ruas até o dia 24 de outubro. O Poder Jovem é a liderança, eles são os mais preocupados com o futuro, têm a vida pela frente e cabe a nós, mais velhos, seguir essa vibrante juventude.

Para quem viveu a geração 68 com sua alegria de sonhar em transformar o mundo, viveu a beleza da passeata, e alguns anos depois vivi o mesmo com “los hermanos” argentinos em Buenos Aires. A humanidade utilizou marchas, motins e reuniões como protesto desde o Egito Antigo, passando por Roma até chegar nos movimentos populares de rua na Revolução Francesa.

Os Profetas bíblicos apoiaram as passeatas, porque eles se rebelaram contra as injustiças que ocorriam no seio do Povo Judeu e no mundo. Há pontes entre os Profetas e os jovens de hoje, como se pode ler nas palavras do Profeta Amós, um crítico da opressão social no processo de empobrecimento do povo, que defendeu os pobres sem acesso à terra, que haviam perdido os seus direitos. Eles se identificariam hoje com os estudantes que vão às ruas e eram contra as guerras, como se lê no profeta Isaías 2,4: “Ele julgará entre as nações e corrigirá muitos povos. Estes converterão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices. Nação não levantará a espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra”. Incrível como os que se dizem religiosos (e a família apaixonada por armas) desprezam as palavras do grande Isaías.

***
Os artigos representam a opinião dos autores e não necessariamente do Conselho Editorial do Terapia Política. 

Revisão: Celia Bartone

TP: Clique aqui para ingressar no site FURA BOLHA, um espaço democrático onde estão depositados vídeos de excelente qualidade, para serem encaminhados aos brasileiros que ainda têm alguma dúvida se devem votar contra a extrema direita.