O verdadeiro debate fiscal que as análises convencionais não fazem

Uma leitura estratégica do Balanço Geral da União, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional: o que ele revela sobre a restrição fiscal brasileira.

Análise do Alerta Estratégico

Equilibrar as contas não basta: qual Estado o ajuste preserva?

Em síntese: o Balanço Geral da União de 2025 registra o estoque contábil da Dívida Pública Federal crescendo 16,9% e os juros apropriados por competência aumentando 30,2% — embora o desembolso de caixa tenha crescido 3,3% —, enquanto os investimentos empenhados somaram R$ 72,1 bilhões, dos quais apenas R$ 37,8 bilhões foram pagos no próprio exercício — o restante foi inscrito em restos a pagar, num padrão em que quase metade do investimento de cada ano só se realiza no seguinte. Metade da dívida mobiliária interna em mercado permanece vinculada à Selic, o que transmite a política monetária diretamente ao custo do passivo público. Este Alerta argumenta que a restrição fiscal brasileira possui uma dimensão financeira decisiva: em 2025, os juros foram o principal fator de elevação da dívida em proporção do PIB, e o crescimento da economia, o principal fator de contenção. Concentrar o debate exclusivamente nas despesas primárias — especialmente nas despesas sociais e de investimento — deixa fora da análise o impacto da política monetária, a estrutura de indexação da dívida e o diferencial entre juros e crescimento. Sustentabilidade fiscal não é equilíbrio contábil: depende da interação dinâmica entre dívida, juros, crescimento, arrecadação e capacidade de ação do Estado.

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O Alerta Estratégico analisa documentos públicos, estudos técnicos, indicadores e acontecimentos relevantes para o desenvolvimento brasileiro. Ele é produzido com apoio de ferramentas de inteligência artificial para pesquisa e organização das informações. A seleção dos temas, a interpretação analítica, a revisão técnica e a responsabilidade pelo conteúdo são de competência exclusiva de Antonio Prado.
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Os artigos representam a opinião dos autores e não necessariamente do Conselho Editorial do Terapia Política. 

Ilustração: Mihai Cauli
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