
; Homage to Ben Shahn; Scarborough Museums Trust; http://www.artuk.org/artworks/homage-to-ben-shahn-236524
Anunciei que escreveria sobre os porquês que a democracia é alegria há uma semana e fiquei inquieto com tanto otimismo, pois sei o quanto se pode perder nas eleições, no futebol, na vida cotidiana. Fui otimista e pensava no que escreveria se a gente perdesse, e logo me tranquilizei, pois se caíssemos, seria de pé. Contra o ódio, contra a mentira, contra todos os poderes, levantou-se o esquecido poder popular, o poder dos jovens que saíram às ruas e atrás os pais, avós e bisavós. Grande vitória, não só brasileira, mas mundial. Ontem alguns amigos argentinos, como o mestre Rafael e os “hermanos” Adolfo e Horácio, escreveram, falaram, ligaram, pois Argentina estava em festa pela vitória do Marechal LULA.
Democracia é alegria. A palavra alegria é a marca do escritor judeu de Kiev, capital da Ucrânia. Nasceu no distante ano de 1859 e morreu em 1916 em Nova York; no seu enterro calcula-se que havia umas quinhentas mil pessoas nas ruas e avenidas para homenageá-lo. Foi o escritor mais popular da História do Povo Judeu e escrevia sobre os pobres, como foi a história de “Tévye, o leiteiro”, levada ao cinema como “O Violinista no Telhado”. Dizia que “o riso faz bem tanto à saúde do corpo quanto à alma; os médicos sábios prescreveram o riso”.
Antes dele o poeta alemão Friedrich Schiller escreveu: “Alegria, ó raio divino da beleza”. Cheguei em casa, pus a Nona Sinfonia de Beethoven para escutar e junto recordei os versos de Schiller que inspiraram o quarto movimento: “Oh amigos, mudemos de tom!/ Entoemos algo mais agradável/ E cheio de alegria”. Assim começa a “Ode à alegria” de Friedrich Schiller, que inspirou Beethoven a compor a Nona Sinfonia, conhecida como a melodia da alegria. Recordo que o grande compositor estava surdo ao compor e sua vida era sofrida, em especial nas relações amorosas. Schiller escreveu a “Ode à alegria” em 1785, e a Nona Sinfonia foi composta entre 1822 e 1824.
Desde ontem à noite, o Brasil festeja com alegria, a vitória do Lula, e ele é notícia mundial no mundo. Onde tem uma rádio, uma TV, um jornal, o nosso presidente pela quarta vez é notícia. O nome Lula e o nosso país estão para sempre inscritos na História Mundial. Democracia é alegria, mas muitas mídias torceram contra o PT e a coligação dos partidos humanistas. Muitos grupos de comunicação boicotaram a divulgação do Lula, mas uma parte maior do povo saiu às ruas, e, junto ao exército de mais de dez milhões de brasileiras e brasileiros, o amor venceu o ódio.
Freud escreveu que o ódio ocorria antes que o amor, e há uma tendência humana a se unir mais pelo ódio e pela crueldade, como nas guerras, mas ontem foi derrotado. A velha participação popular meio esquecida renasceu liderada pela grande UNE–União Nacional de Estudantes- da histórica passeata dos cem mil do Rio de Janeiro. Serão anos de muita luta com um Congresso e um Senado mais conservador. Entretanto, o poder das ruas os fez votarem a favor da jornada 5X2, e será preciso pressionar para manter e ampliar a justiça social, a educação pública, a saúde pública e a luta contra o racismo.
Muitos do time do ódio serão seduzidos pelo amor, eu acredito nessa possibilidade. Democracia é alegria, e ontem o país alegrou o mundo, o mundo das artes, da cultura, de todas as raças e religiões. Por fim, uma reflexão: Psicanálise e alegria nunca formaram um par dançante, a palavra alegria não é tema de trabalhos, jornadas, são palavras que nem conversam. Ultimamente a senhora Psicanálise consegue até sorrir, talvez ela consiga dançar um dia com a palavra alegria em algum baile. Escrevo porque hoje percebi que diante de onde sento no consultório vivem três amigos: Charlie Chaplin, Dom Quixote e Sancho Pança, escutam e fazem supervisões. O mais importante das eleições é: A ESPERANÇA VIVE!
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Ilustração: Mihai Cauli
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